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Prossigo para a Cruz






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Você se recorda de que estamos na celebração da Quaresma de Cristo? Pois estamos sim. E alguns sofrimentos recentes me remeteram a pensar ainda mais neste tempo de Quaresma.  Veja este texto : “Longe de ser quimera, algo chamado Graça de Deus nos desafia a lógica da morte e nos faz refletir, chorar e ao mesmo tempo nos alegrar em Deus pelo exemplo de fé e gratidão na vida de Jacky... Tristeza porque em toda partida uma lágrima cai ao chão; no adeus a vida se parte e logo vira grão... Tristeza porque a voz e os movimentos se vão... Tristeza porque a  dor da ida é derivada do coração. Sim, tristeza!” – estas são palavras de Antognoni Misael, no blog Revista Conteúdo Cristão, divulgado pelo Púlpito Cristão. Foram escritas quando da morte de Jakylene (câncer de pulmão), no dia 02 de março deste ano, e que era esposa do Mauro Henrique, vocalista da banda Oficina G3. A morte tem sempre esta conotação de dor, de perda, de  desamparo. E especialmente neste final de fevereiro e início de março convivemos com a morte de pessoas do nosso círculo e muito estimadas: o Dom Robinson Cavalcante (bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul, em Recife) e da esposa Miriam – ambos mortos pelo próprio filho. Morre também Milton Schwantes, pastor e teólogo, homem sábio e de uma simplicidade cativante.
Morreram também pessoas que não são do círculo de amigos/as da maioria de nós, mas que agora fazem parte da comoção nacional: criança assassinada por um jet sky desgovernado (sob o comando de um adolescente descredenciado para o uso do mesmo); morre a garota no parque de diversões Hopi Hari (toda a família é cristã, da Igreja do Evangelho Quadrangular), em decorrência de falta de manutenção de equipamentos. Morre ciclista atropelada no trânsito em São Paulo. Morre. Morre. Morre...
E se não bastasse morrer, ainda há o peso da violência e da desumanidade a envolver tais mortes. No velório do Dom Robinson Cavalcante, um transeunte indignado com a brutalidade da morte do casal, disse: “E onde é que está Deus que não vê isto? Como é que pode um casal como este agora estar morto e pelas mãos do próprio filho?”

I - Alguém escolhe morrer?
Há quem resolva por fim à vida. Pessoas em doenças terminais, pessoas acometidas de doenças psiquiátricas (transtornos de ansiedade); pessoas em extremo sofrimento, desiludidas. E em todas estas situações a escolha foge a todo o princípio de vida que Deus tem proposto. Algumas dessas pessoas até se matam exatamente porque desejam muito viver e não vêem como – não conseguem lidar com as dificuldades que chamam para a morte. Isso confirma que viver é um anseio natural do ser humano.
    Se é assim, então o que dizer de Jesus que, conscientemente, caminhou para a morte e morte de cruz?

II - Jesus escolheu a morte?     
Na verdade Jesus NÃO ESCOLHEU A MORTE pela morte. Jesus não queria passar pela dor da prisão, julgamento, morte e crucificação. Ele chegou a orar (por três vezes) pedindo a Deus que o livrasse da morte, que não permitisse que bebesse deste cálice tão amargo. E a resposta a esta oração foi: “...prossiga para o alvo da vocação soberana que fiz a você. Sua obediência à minha vontade custará preço de cruz, mas não há como você ir por outro caminho. Não volte atrás em nenhum dos meus ensinamentos. Você sofrerá, mas Eu, seu Pai, estarei com você em todo o tempo. E o coroarei com a ressurreição” (Mateus 26:36 a 46).  

III - Acompanhando este drama
Jesus teve que buscar o Pai muitas vezes para que não desistisse de dar testemunho do Seu Pai ao mundo. Não foi fácil para Ele (leia Mateus 27 e acompanhe)! Mas era preciso prosseguir firme na aliança que fizera com Deus.
O mundo criado por Deus se rebelara contra Ele. Depois de criado, o ser humano repudia a grandeza e o amor do Criador e declara sua independência. E comete todo tipo de agressão a si mesmo, ao/à outro/a e à natureza. Bem que os patriarcas, os/as juízes/as, os profetas, as profetizas, os reis, as rainhas, tentaram dar testemunho pleno de Deus, mas todos/as pecaram. E o mundo continuou carente da Graça de Deus. Então Deus vocaciona o Seu único filho a vir ao mundo e viver como FILHO DO DEUS ALTÍSSIMO. E Jesus aceitou o desafio. Não por Ele, porque lá no céu estava tudo muito bem e tudo muito melhor – relata Paulo aos Filipenses, capítulo 2: 5 a 11. Mas por uma causa justa: a restauração de toda a humanidade e de toda a criação.
Enfim, Jesus não escolhera a morte, mas a vida em obediência a Deus trouxe a morte como paga. É assim mesmo: a humanidade gosta tanto de só pensar em si que é capaz de matar alguém só para obter o que quer. Assim é que se quebra todo o propósito de Deus e o mundo vai se tornando um caldeirão de destruição. E o remédio para isto é arrependimento e conversão a Deus, a fim de que haja paz e justiça neste mundo.
Alguém pode dizer que isto é “pura bobagem. Crença de criança. Coisa de gente maluca. Conversa de gente mal resolvida, invejosa e que não gosta do que é bom”. Mas a verdade é que a mensagem da cruz é mesmo escândalo para este mundo. E Jesus não se desviou desta verdade.  Bem que muitos/as tentaram desviá-lo deste propósito:

a - Herodes, quando decretou a morte dos/a recém-nascidos/as (pensando que assim mataria também a Jesus)-Mt 2:16;
b - O diabo, propondo riquezas, mesa farta e muita honra e poder –Mt 4;
c - Pedro, quando tentou desviar Jesus de Jerusalém – Mc 8:33-34;
d - Os escribas e fariseus – por diversas vezes;
e - O próprio sofrimento humano de Jesus, na luta entre sua vontade e a vontade de Deus –Mt 26 e 27.
Mas nada o afastou da verdade de Deus.  Esta verdade libertou Jesus do medo, do egoísmo, da desobediência. Foi assim que Jesus, querendo trazer a vida de Deus a este mundo, terminou por ser pregado numa cruz.  

IV - Tempo de Quaresma
Jesus decidiu tomar esta cruz (obediência a Deus como testemunho ao mundo) até às últimas conseqüências. A vida dEle jamais se dobrou a qualquer acordo que traísse a Sua aliança com o seu Pai. E a morte chegou. Mas a morte é o fim? Para Deus, não!
A Quaresma nos convida a acompanhar os últimos quarenta dias do sofrimento de Jesus aqui na terra. Podemos ler sobre estes dias: sua ida para Jerusalém, sua entrada triunfal, seu confronto com pecadores/as convictos/as e nada arrependidos/as, a Santa Ceia (celebração da Páscoa com os discípulos), a traição de Judas, a prisão do mestre, Seu julgamento, Sua caminhada com a cruz aos ombros, Sua crucificação e Sua morte. Jesus pagou um preço alto por ser fiel a Deus. Porém, a morte não prevaleceu. A morte foi vencida pela ressurreição.

IV – Tempo de Celebração
Na verdade Deus sempre é o vencedor. Ele permitiu que as pessoas julgassem e matassem a Jesus, mesmo que o único “erro” de Jesus tenha sido ser mais fiel a Deus que às pessoas deste mundo. Isto significa que, ainda neste tempo em que vivemos, o mal pode vitimar pessoas. Mas Deus não está ausente deste mundo. Ele já estabeleceu um juízo final: todo/a aquele/a que o nega aqui, neste mundo, será negado por Jesus no dia final. E aí sim: experimentará morte eterna. Mas a todo/a aquele/a que toma a cruz e siga a Jesus, certamente a perseguição e a morte os/as alcançará, mas já está determinado a estes/as a vida eterna. E esta vida eterna começa já aqui, quando diariamente o Pai visita seus/as filhos/as e os/as reveste do poder dEle. E isto é tão forte que aquele/a que nele crê tem uma paz que o mundo não conhece; tem um vigor que só é explicado pela presença e pelo revestimento do poder do Espírito Santo.

V - Entendendo a quaresma atual
Assim podemos entender que a morte faz parte da vida humana: a Jaky faleceu porque estava doente, o Milton Scwantes também estava enfermo,  alguém está hoje vivo e daqui a pouco pode sofrer um infarto. Mas esta morte não precisa ser o fim. A vida pode continuar.
E o que dizer da morte do Dom Robinson e da Miriam, ou da ciclista atropelada, ou da garota morta no Hopi Hari? Estas mortes são decorrentes da ação pecaminosa de pessoas deste mundo. São mortes que poderiam ter sido evitadas – mas não o foram. Portanto elas são um convite a que prossigamos para o alvo da vocação que Deus nos fez: anunciar a mensagem de salvação para quem ainda vive nas trevas. Estas mortes nos lembram: há pessoas que carecem mudar o rumo de suas vidas; precisam ser barradas nos seus propósitos malignos, egoístas, interesseiros, etc. Embora perdidos/as nas trevas mais diversas, a verdade é que Jesus morreu por elas e quer salvá-las. Ninguém foi mais brutalmente assassinado e humilhado quanto foi Jesus. E foi Ele mesmo, na cruz em que o prenderam, que disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que faz.” Ser seguidor/a de Jesus é agir como ele agiu: mortes injustas não devem remover a nossa fé, mas sim mover-nos a ações concretas de reter as forças do pecado que assolam  esta nossa terra. Cada morte que consideremos indigna deve ser motivo de renovação da fé e de trabalho a favor do Senhor Jesus Cristo.
Que a Graça de Deus nos console e nos desperte a prosseguir para o alvo da vocação cristã.
Por fim, encerro com estas palavras do Antognoni Misael: “Mas enquanto enxugo as lágrimas, uma profunda alegria vem ao meu coração ao cantarolar aquela canção que diz: ´Ó Pai, eu queria tanto ouvir o som que vai abrir o encontro triunfal. Rever amigos que um dia em Cristo foram feitos irmãos, e agora sim, podemos dar as mãos... Sim! Espero ansiosamente por este grande dia.´

Em Cristo, e carinhosamente,
Marisa de Freitas
Pastora no exercício do episcopado.


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